Quanto vai custar o Rodoanel  

Além do irrecuperável prejuízo ambiental, o Rodoanel acarreta custos que avançam no tesouro público e agridem o bolso do contribuinte. Desde que a obra foi lançada pelo Governo do Estado, em junho de 1989, até agora, os valores sofreram uma escalada vertiginosa: no lançamento foi orçada em U$$ 1.050 milhão (um milhão e cinqüenta mil dólares); em dezembro de 97 a previsão de custo chegou a R$ 2.8 bilhões; em 15 de fevereiro de 2001 atingia a cifra de R$ 6 bilhões, como consta no site da DERSA.  No entanto, em 18 de agosto do ano passado, a Folha de São Paulo divulgou em primeira página um custo estimado de R$8 bilhões. Como por aqui o superfaturamento é prática comum onde houver brecha, tudo indica que este valor pode ultrapassar os R$10 bilhões.  
Trecho Oeste: exemplo do que não deve ser
Parcela dos recursos viriam das esferas federal, estadual e municipal  - São Paulo – e também de empréstimos do exterior. Mas há dificuldades. A administração municipal, por exemplo, não vem cumprindo com sua parcela barrada por vetos no Legislativo e também por falta de recursos. Quanto aos empréstimos internacionais, há rígidas condições relacionadas a impactos ao ambiente e à população.  


Trecho Oeste teve custo triplicado


Pelo Brasil afora já existem muitas obras paralisadas sob alegação de falta de verbas – algumas por falta de planejamento. O Rodoanel poderá se somar a elas, já que o Governo enfrenta no momento um problema crucial de gestão econômico-financeira: o primeiro trecho – o Oeste -  no início orçado em R$ 395 milhões teve depois nova estimativa aumentada para R$659.622.228,00. Hoje, segundo dados apresentados pela DERSA (em seu site/ 09 de dezembro de 2002) os valores já atingem R$1.2 bilhão. Nos bastidores, porém, já se fala em R$1.5 bi. Como se pode ver, ultrapassaram e muito. O processo é gritante e culmina com uma declaração pública do próprio Presidente da DERSA, Sergio Luiz Gonçalves Pereira:"Reconhecemos que os números inicialmente calculados foram excedidos, mas devido à dimensão e escala deste empreendimento é impossível um cálculo mais exato: são todos números cabalísticos!" Cinismo ou leviandade?


Sergio Luiz Gonçalves Pereira: Presidente da Dersa

Não estamos falando em centavos. Pense: se for aplicado a esse custo global da obra de 8 bilhões de reais o conceito introduzido de modo pueril pelo presidente da DERSA –  “a cabala”  - então esta cifra poderá chegar a 15 ou 20 bilhões de reais,  a exemplo do que ocorreu no trecho Oeste, que praticamente triplicou. Aliás, o assassinato de von Richtofen pode ter sido uma fatalidade não só para ele, mas para alguns outros diretores da Dersa. A propósito, leia matéria assinada por Helio Fernandes no Tribuna da Imprensa online de 16/12/02: Suzane (com o namorado) matou o pai - Mas empreiteiros e altos escalões estão envolvidos no "crime hediondo".


Poder e capacidade de escolher
 

Um dos argumentos apresentados como favoráveis ao Rodoanel diz que "o novo traçado permitirá uma economia de combustíveis pelo só efeito da maior velocidade da frota". Tal justificativa compensa os custos ambientais e de saúde pública? 
E quando a frota for novamente maior que a velocidade?  
Os cidadãos estão recebendo um novo equipamento urbano a um custo declarado de R$ 8 bi e que representa um corte profundo no tecido vivo da grande cidade. Mas não têm tido condições de se pronunciar conscientemente se desejam esse tipo de bens e serviços, se estão de acordo com os danos que isto causará e, sobretudo, se estão dispostos a pagar o preço que tal empreendimento acarretará. Falta transparência nas informações que vêm a público. Forma duvidosa de democracia, esta.
Rodoanel: altos custos ambientais e de saúde pública

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