Relatório de Impacto Ambiental/Ampliações do Aeroporto Internacional de SP/Guarulhos
III. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL (parte 8)

4. DIAGNÓSTICO DA ÁREA DIRETAMENTE AFETADA

4.2 Meio Físico

Foram executadas na área destinada à ampliação do Aeroporto referentes ao TPS 3, Edifício Garagem e Acessos, 112 sondagens à percussão, sendo 87 para fins de fundações e 25 para fins de terraplenagem. As sondagens foram programadas baseadas nos estudos preliminares e executadas entre janeiro e março de 1999. Com base nos resultados dessas sondagens verifica-se que o subsolo é caracterizado, em alguns locais por uma camada superficial de aterro de argila siltosa pouco arenosa, muito mole, de cor variegada, com espessura variando entre 0,15 e 2,45 metros, sobrejacente a uma camada de aluvião, caracterizada por argila orgânica com turfa, e/ou turfa argilosa, muito mole, cor preta, com espessura variando entre 0,90 e 3,00 metros. Em alguns locais não ocorre a camada de aterro e a camada de argila orgânica com turfa, e/ou turfa argilosa, muito mole, preta (aluvião) constitui a camada superficial do subsolo e possui espessura que varia entre 0,30m e 3,80m, aproximadamente.Abaixo do aluvião argiloso ocorrem predominantemente camadas de aluvião arenoso com espessuras que variam entre 0,20m e 4,90 m, aproximadamente. Subjacente ao aluvião arenoso, a partir das profundidades de 1,00m a 6,80 m, aproximadamente, foi detectado o sedimento terciário, composto por camadas alternadas de argilas siltosas e areias argilosas com consistências, com pacidades e espessuras variadas até as profundidades finais de execução das sondagens.

O nível do lençol freático na região das sondagens SP-101 a SP-186 foi detectado entre as profundidades de 0,00m e 1,90 m, e na região da sondagem SP-187 na profundidade de 4,80 m. Em outros locais, o subsolo é constituído superficialmente por uma camada de aterro com espessura variando entre 0,50m e 2,90m, sobrejacente a uma camada de aluvião,constituído por argila orgânica com turfa, muito mole, preta e/ou argila orgânica siltosa, muito mole, cinza, com espessura variando entre 0,80m e 4,30m, aproximadamente. Abaixo do aluvião argiloso, ocorrem camadas de aluvião arenoso cinza claro, que por sua vez ficam sobrejacentes ao sedimento terciário, composto por camadas alternadas de argilas siltosas e areias argilosas.

Em outras áreas as espessuras de aterro são maiores, variando de 2,30m a 6,60 m, não ocorrendo a camada de aluvião argiloso mole devido à troca de solo efetuada na região das mesmas. O nível do lençol freático na região de alguns pontos de sondagem foi detectado entre as profundidades de 0,00 e 2,76 metros.

4.3 Meio Biótico

Cobertura vegetal

Inicialmente cabe observar que a área atual do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, assim como as áreas a serem ocupadas pela ampliação pretendida, foram integrantes da Fazenda Cumbica, onde foi implantada a Base Aérea em 1945, era ocupada predominantemente por pastagens, sendo escassos os remanescentes da floresta original. Também o entorno, incluindo o sopé da área serrana, já se encontrava em grande parte desmatado. Portanto, a instalação do Aeroporto não ocasionou supressão da cobertura vegetal original.

As duas principais manchas de mata existentes na área da antiga fazenda foram preservadas na área do estacionamento de passageiros e junto ao Hotel Ceasar Park, conforme pode ser observado em foto aérea datada de 1948 (Foto III.27).

A Área Diretamente Afetada pelas obras de ampliação do Aeroporto, que compreende a área onde serão implantadas as novas instalações e a área abrangida pelo Decreto de Desapropriação, localizam-se na várzea do Rio Baquirivu-Guaçu, onde originalmente ocorria uma vegetação de caráter higrófito (campos e matas de várzea). Atualmente esta área encontra-se intensamente antropizada seja pela ocupação urbana (nas áreas a serem desapropriadas), seja pela própria implantação do Aeroporto.

Com base na análise preliminar do Mosaico Semi-Controlado Digital (escala 1:5.000), de fevereiro de 2000, verifica-se que na área destinada à instalação do Terminal de Passageiros TPS3 e do canteiro de obras verifica-se o predomínio de campos de origem antrópica (gramíneas e espécies invasoras) e áreas de solo exposto (Figura III.19 Cobertura Vegetal da ADA).


Os levantamentos de campo, realizados em julho de 2003, tiveram como objetivo a identificação da vegetação existente (naturais e de caráter antrópico), sua extensão, estado de conservação e composição florística predominante, bem como a elaboração do mapeamento de cobertura vegetal. No entorno da área edificada do Aeroporto, existem canteiros gramados e arborizados, além da arborização das áreas de estacionamento e vias de circulação.

Grande parte das mudas utilizadas nesses plantios provém de um viveiro instalado na própria área do aeroporto e operado por empresa terceirizada. Nesse viveiro existe um bosque de espécies arbóreas e palmeiras (tanto nativas como exóticas), estufas e canteiros para produção das mudas utilizadas nos plantios paisagísticos e arborização do Aeroporto. A INFRAERO recebe escolas da região para realização de atividades educativas. (Foto III.25).

Dentre as espécies arbóreas ocorrem: escovinha-de-garrafa, manacá-da-serra, mulungu, suinã, tamboril, entre outras. Na coleção de palmeiras foram identificadas: areca-bambu, jerivá, palmeira-garrafa, palmeira-imperial, palmeira-triângulo, palmitojuçara, rabo-de-peixe, washingtonia.
Entre os remanescentes naturais, em diferentes estados de conservação, ressalta-se o fragmento junto ao estacionamento e aqueles situados próximos ao Hotel. Em junho de1991 foi estabelecido um protocolo de compromisso entre o Ministério da Aeronáutica, oIBAMA e a INFRAERO, visando a preservação das áreas verdes do Aeroporto.
Esse documento inclui um parecer do Prof. Dr. Hermógenes de Freitas Leitão Filho(UNICAMP), elaborado a partir dos levantamentos florísticos executados em fragmentosflorestais remanescentes, tendo sido ressaltada a importância da preservação dessesremanescentes. A vegetação foi classificada como Floresta Mesófila Semidecídua deAltitude, tendo sido identificadas espécies de madeira-de-lei quase extintas atualmentecomo: caviúna, cabreúva-amarela, cabreúva-vermelha, cedro-rosa e peroba-rosa, entreoutras.

Áreas de Influência do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos para os Meios Físico-Biótico e Arqueologia

Fauna

Na maior parte das observações de fauna realizadas em julho de 2003 na Área Diretamente Afetada foram amostradas áreas de capoeira, lagoas e brejos formados ao longo de canais de drenagem, além dos gramados situados ao lado das pistas e antigas construções abandonadas. Durante a visita foram percorridos os ambientes acima citados, anotando-se todas as espécies de aves identificadas através de contato visual ou auditivo.


Foto III.37 – Aves Aquáticas

A maioria das espécies observadas no local é comum e de fácil adaptação em áreas urbanas arborizadas, apresentando baixa sensibilidade a distúrbios no ambiente.Quanto ao status de conservação das espécies no Estado de São Paulo, nenhuma ave registrada no local de estudo apresenta algum grau de ameaça (São Paulo, 1998).
As espécies mais
interessantes foram observadas nos lagos e brejos, destacando-se três indivíduos de colhereiro, observados enquanto se alimentavam em um dos lagos, e o gavião-caramujeiro. Outra espécie, a marreca-ananaí, foi observada em bandos de até 50 indivíduos deslocando-se entre os diferentes lagos existentes em toda a ADA. Outras aves aquáticas, como o biguá e agarça-branca (Foto III.37) também foram registradas deslocando-se entre esses lagos.
Essas aves aquáticas também realizam movimentações entre os lagos situados na ADA e aqueles situados no lado oposto do Aeroporto, próximo ao hotel Ceasar Park. A presença de aves aquáticas é explicada pela proximidade do Parque Ecológico do Tietê e pelo fato da área estar cercada, ocorrendo uma movimentação humana muito pequena no local, de maneira que as aves não são perturbadas
.

Apesar de existir uma grande área de capoeira, que mesmo bastante alterada corresponde a uma fisionomia florestal, nenhuma das espécies de aves registradas no local é considerada como típica de mata. A situação de isolamento e o elevado estado de degradação da vegetação devem ter sido responsáveis pelo desaparecimento dessas aves mais exigentes quanto à qualidade do hábitat. Espécies comuns presentes na capoeira foram o bentererê e o alegrinho. Nas áreas de vegetação aberta, com predomínio de capim foram registrados grandes bandos de bico-de-lacre e alguns indivíduos de tiziu.

Nos gramados existentes junto às pistas foram observadas duas espécies: o queroquero e o caminheiro. De acordo com o relatório elaborado pelo Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente e o Laboratório de Ornitologia, ambos da UFRJ, o quero-quero é uma das espécies que apresenta um dos maiores números de colisões com aviões. O mesmo relatório recomenda que a altura da grama seja mantida com cerca de 20 centímetros, o que dificultaria o deslocamento das aves.

A outra espécie que apresenta um alto índice de choques com aviões, é o urubu-comum. Existe um projeto de controle de aves no Aeroporto, sendo que entre 2000 e 2002 cerca de 360 urubus foram capturados nas imediações do aeroporto e soltos em áreas distantes. Mesmo assim, o urubu ainda é uma espécie comum na área, sendo que alguns indivíduos foram observados pousados bastante próximo dos aviões (Foto III.38). A grande quantidade de lixo existente ao longo dos córregos e terrenos abandonados nos arredores do Aeroporto é um grande atrativo para essas aves, aumentando sua concentração na área.
No local onde será construída a Pista 3, atualmente ocupada pelo antigo canteiro de obras, as espécies mais comuns são a pomba-doméstica e o pardal, duas espécies exóticas cuja sobrevivência está diretamente associada à presença humana. Os remanescentes florestais localizados nos bairros populares na AID se encontram extremamente alterados. Além disso, essas manchas de mata estão isoladas de áreas mais extensas de mata, como as situadas na Serra da Cantareira. Essa situação impede que espécies de aves florestais se mantenham nessas áreas, o que foi constatado durante o levantamento de campo, quando nenhuma ave foi observada no interior desses fragmentos, além de espécies generalistas e de borda como o bem-te-vi, o sanhaço e o bentererê.


Foto III.38 – Urubu

De maneira geral, todas espécies encontradas no local de estudo são comuns e de fácil adaptação em áreas antropizadas. As espécies mais interessantes do ponto de vista de conservação são aquelas ligadas aos lagos e brejos, por se tratar de um ambiente mais raro em áreas urbanas.

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