Relatório de Impacto Ambiental/Ampliações do Aeroporto Internacional de SP/Guarulhos
em vermelho, grifos nossos - Jornal da Serra da Cantareira

III. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL (parte 6a)

3. DIAGNÓSTICO DA ÁREA DE INFLUÊNCIA DIRETA


3.3 Meio Biótico

Para delimitação da AID, no âmbito dos estudos do meio biótico foi delimitada um área no entorno da Área Diretamente Afetada, suficiente para revelar o uso do solo lindeiro e a avaliação da significância dos fragmentos vegetais existentes (com conseqüente rebatimento à fauna local).

Cobertura Vegetal e Fauna Associada

No que se refere à vegetação, destaca-se o trabalho efetuado por Gandolfi (1981), na área atualmente ocupada pelo Aeroporto de Guarulhos, onde foram realizados estudos florísticos e fitossociológicos, num fragmento de floresta semidecídua, identificando 113 espécies pertencentes a 41 famílias botânicas. As famílias com maior número de espécies foram: Myrtaceae (19), Euphorbiaceae (13), Lauraceae (13), Compositae (11) e Solanaceae (10); e as de maior índice de valor de importância: Euphorbiaceae, Lauraceae, Anacardiaceae, Leguminosae e Flacourtiaceae. Quanto às espécies, as principais foram: canela, peito-depombo, leiteiro, branquilho e almecega.

Nas porções norte e nordeste da AID ocorrem trechos ainda não ocupados, recobertos por campos antrópicos e remanescentes da Floresta Estacional Semidecidual ou Floresta Atlântica de Planalto, em estágio sucessional inicial (capoeirinhas) até médio (capoeiras).

Nos campos antrópicos, além das gramíneas e compostas vegetam as samambaias do campo e gleichenia . Destaca-se, ao norte da nova pista (paralela à avenida Jamil João Zarif), uma extensa área de várzea, de um afluente da margem esquerda do rio Baquirivu Guaçú, recoberta por gramíneas. Outras espécies, observadas em baixa densidade são as herbáceas lírio-dobrejo e mussambê e as arbóreas ingá e suinã. As capoeirinhas apresentam porte baixo (3-5m), ausência de estratificação definida, uma grande quantidade de trepadeiras e encontram-se muito alteradas por atividades antrópicas, tais como queimadas, trilhas e extração de lenha. 

As espécies arbóreas mais comuns são: angelim-do-campo, bugreiro, canelinha, cangalheira, capororoca, capororoca-mirim, cuvantã, embaúba-vermelha, jacarandápaulista, manacá-da-serra, tamanqueiro, tabocuva, tapiá, vassourão, Actinostemon communis, Calyptranthes concinna, Dalbergia sp., Dentre as espécies arbustivas podem ser citadas: morango-silvestre, pixiricas e samambaiaçus As capoeiras apresentam maior diversidade de espécies que a formação anterior, três estrato definidos (herbáceo-arbustivo, intermediário e arbóreo) porte mais elevado e distribuição diamétrica mais ampla. Destacam-se, pelo porte, exemplares de angico-branco com 57 cm de DAP e 12m de altura e de jacarandá-paulista, com 46 cm de DAP e 10 m de altura. As espécies arbóreas mais freqüentes são: tapiá – espécie predominante, açoita-cavalo, almecega, embira-de-sapo, ipê-amarelo, jacarandá-paulista, maria-mole, marinheiro, paujacaré,tapixingui.

No estrato intermediário (arvoretas) ocorrem: lauráceas, mirtáceas, araticum-do-mato, cafezinho, caroba, entre outras.

No estrato herbáceo-arbustivo observam-se: ciperáceas, melastomatáceas, piperáceas, rubiáceas, esponjinha, morango-silvestre.

Nos remanescentes florestais de encosta foi encontrada uma razoável diversidade florística e a presença de espécies também comuns às florestas estacionais do interior do estado muito comuns nessa região. Considera-se, portanto uma perda ambiental a supressão e/ou degradação desses remanescentes, aumentando sua fragmentação e isolamento em relação ao contínuo que originalmente existia em relação ao maciço da Serra da Cantareira, assim também como a degradação das várzeas, devido à expansão das ocupações irregulares na região.

Ao contrário do Parque Estadual da Cantareira, que apresenta uma avifauna basicamente florestal, e do Parque Ecológico do Tietê que abriga muitas espécies aquáticas, as áreas situadas na AID do empreendimento se caracterizam por abrigar uma avifauna típica de áreas alteradas e urbanas. Os bairros localizados próximos do Aeroporto apresentam densa ocupação e escassez de áreas verdes, o que influencia diretamente a avifauna.

Durante o processo de urbanização, áreas de florestas desapareceram ou foram bastante degradadas. Esse processo de substituição de ambientes naturais por ambientes antropizados, mais simples e com uma menor quantidade de recursos, como alimento e abrigo, levou a extinção local de muitas espécies de aves mais exigentes quanto à qualidade ambiental. Essas foram substituídas por espécies menos exigentes, que se adaptam a ambientes urbanos, com menor quantidade de recursos. No caso de bairros pouco arborizados, poucas espécies de aves permanecem no local sendo que algumas espécies como o pardal e a pomba-doméstica têm sua ocorrência diretamente relacionada à densa ocupação humana.

 

Áreas de Influência do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos 
para os Meios Físico-Biótico e Arqueologia


Fonte: Foto Aérea de 2002: Prefeitura Municipal de Guarulhos, 2002

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