Relatório de Impacto Ambiental/Ampliações do Aeroporto Internacional de SP/Guarulhos

III. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL (parte 3)


2.2 O Meio Físico

São descritos, a seguir, os aspectos do meio físico relevantes para caracterizar a Área de Influência Indireta do presente estudo.

O Clima e a Meteorologia

O clima e condições meteorológicas de uma determinada área são governados substancialmente por fatores geográficos e continentais, tais como a latitude e a proximidade das grandes massas líquidas dos Oceanos. A topografia interfere nessas condições gerais, diferenciando ou particularizando alguns elementos climáticos a nível local. Nessa abordagem global, o Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos insere-se na Região Sudeste do Continente Sul Americano e, do ponto de vista do clima, apresenta os mesmos padrões de comportamento observados na Região Metropolitana de São Paulo, que dista cerca de 100 km do Oceano Atlântico, situando-se a sotavento da atuação da Massa Tropical Atlântica (quente e úmida) dada a barreira representada pela Serra do Mar.

Com atuação marcante durante todo o ano, suas alternâncias com as massas polares, individualizadas pelo Anticiclone Migratório Polar, causam o abaixamento da temperatura e das ocorrências das chuvas frontais, principalmente, no período de outono-inverno. Durante o verão a atuação da massa Tropical Continental, individualizada pela Depressão Continental do Chaco, precede os avanços da Frente Polar, sendo responsável pelas intensas ondas de calor e tempo seco. Quanto à caracterização climática local, dispõe-se de dados de monitoramento na própria área do Aeroporto e de uma outra estação localizada nas suas proximidades, no Município de Guarulhos, dando maior representatividade para as análises efetuadas.

Condições Gerais do Clima

Na RMSP, a distribuição espacial das chuvas é fortemente influenciada pela presença da grande massa líquida do Oceano Atlântico a leste. Assim, constatam-se precipitações mais elevadas na faixa mais próxima ao divisor de águas entre a região do planalto e da encosta litorânea (Serra do Mar). Nessa área, as chuvas anuais são mais intensas (3.000 mm a 3.500 mm), diminuindo, progressivamente, quando se caminha para o interior do Continente. Na extremidade oriental da Bacia, as chuvas médias são da ordem de 1.300 mm anuais. Esses valores sofrem uma ligeira elevação tomando-se os rumos norte e sul, para valores da ordem de 1.500 mm a 1.600 mm anuais. O regime anual das chuvas permite identificar um forte componente sazonal, com chuvas concentradas nos meses de verão (inclui os meses de final de primavera), destacando-se o período seco, correspondente aos meses de inverno, quando em julho e agosto ocorrem as menores médias de precipitações.

Caracterização Climática

Os itens a seguir apresentam uma breve descrição, acerca do comportamento dos principais elementos do clima, amparada nos dados disponíveis para as estações climatológicas relacionadas.

Pluviometria

Da análise dos dados disponíveis, nota-se que a área em que se insere o Aeroporto tende a apresentar totais médios anuais de precipitação ligeiramente superiores à média geral da Região Metropolitana de São Paulo. Enquanto na estação de monitoramento de Guarulhos a média anual é igual a 1.680 mm, a RMSP apresenta valores médios da ordem de 1.300mm a 1.500 mm anuais. A incidência de dias chuvosos é bastante elevada no período úmido que se estende de dezembro a março, meses em que as médias mostram que são registradas chuvas em mais da metade dos intervalos. A ocorrência de chuvas intensas, acumuladas em intervalos de curta duração, tem comportamento idêntico ao da RMSP, tendo sido registrado 140 mm em 24 horas no mês de janeiro. Esse valor representa quase 45% do total médio do mês.

Temperatura

A temperatura média anual varia entre 19,3ºC e 19,9ºC, considerando os dados de monitoramento registrados nas estações climatológicas do Aeroporto e do Município de Guarulhos. Os valores médios são muito próximos, referendando os dados registrados na estação do Aeroporto para a caracterização dos dados locais.

Os dados disponibilizados para a estação localizada no Aeroporto não contemplam os valores mensais, exigindo a consideração dos dados da estação do Município de Guarulhos para a avaliação do comportamento sazonal. O comportamento sazonal é bem definido, com valores máximos observados entre os meses de novembro a março e mínimos no mês de julho. Vale lembrar que para o local do Aeroporto já houve ocorrências de valores de temperaturas mínimas absolutas inferiores a zero.

Circulação dos Ventos

Para a caracterização dos ventos em superfície dispõe-se de dados de monitoramento da estação do Aeroporto, onde as velocidades médias dos ventos oscilam entre 7,3 km/h e 12,5 km/h, sendo mais freqüente a direção Leste. As direções Sudeste e Sul comparecem logo a seguir com as maiores freqüências. Estas características assemelham-se às médias do Estado de São Paulo, inclusive, com as direções menos freqüentes de Oeste e Noroeste. 

Demais elementos do clima

De acordo com informações da Estação do Aeroporto, a umidade relativa média é de 80% ea pressão média de 930,9 hpa. A Estação de Guarulhos aponta para uma umidade relativa média de 76%, isolação de 133,9 horas/mês e 91,2 mm de evaporação.

Suscetibilidade a Erosão

Geologia

A área do Aeroporto de Guarulhos situa-se entre duas macro-unidades geológicas separadas pela Falha do Rio Jaguari. Ao norte dessa falha dominam rochas pertencentes ao Grupo São Roque, enquanto ao sul representa área de domínio de rochas do Complexo Embu, pertencente ao Grupo Açungui. As rochas do Complexo Embu encontram-se quase totalmente soterradas por espesso pacote de sedimentos terciários e quaternários, esses últimos associados à drenagem do Rio Baquirivu-Guaçu, no âmbito do graben ou fossa tectônica que recebeu o seu nome. 
As direções de foliação e xistosidade das unidades rochosas, tanto do Grupo São Roque como do Complexo Embu, seguem o padrão Leste-Nordeste, com inflexões ocasionais para Norte-Nordeste e Noroeste. As falhas compartimentam o Pré-cambriano paulista em blocos com distintas unidades litoestratigráficas, mostrando a atuação de intensa movimentação que provocou grandes deslocamentos. A zona de transcorrência representada pela Falha do Rio Jaguari tem traçado Leste- Nordeste, passando ao norte da área do Aeroporto de Guarulhos, e a sua reativação, no Terciário Médio/Inferior, deu origem ao Graben do Rio Baquirivu-Guaçu, que foi sendo preenchido com sedimentos terciários da Bacia de São Paulo.

O Graben do Rio Baquirivu-Guaçu delineia-se a partir da área do Parque Ecológico do Tietê e se estende na direção Nordeste, até a altura do córrego Cocho Velho, passando pela área de ligação entre a Rodovia Ayrton Senna e o Aeroporto de Guarulhos. A partir do córrego Cocho Velho, o graben subdivide-se em dois braços, um dos quais dirige-se a Norte- Nordeste, englobando as regiões do Aeroporto de Guarulhos, Ribeirão da Lavra e proximidades do Ribeirão Guaraçaú, no limite do Município de Arujá. O outro braço tem direção Nordeste e é nele que se instalou o Rio Baquirivu-Guaçu. Também inclui uma área que se estende até próximo ao Ribeirão Guaraçaú.

O Graben do Rio Baquirivu-Guaçu é resultado de reativação tectônica, durante o Terciário Inferior, da Falha do Rio Jaguari ao longo da direção Leste-Nordeste, através de deslocamentos verticais que rebaixaram o bloco a Sul-Sudeste, no qual se instalou, no Quaternário, a bacia hidrográfica do Rio Baquirivu-Guaçu. Após essa atividade tafrogênicainicial, ocorrida provavelmente no Oligoceno, a composição de esforços tectônicos resultou num sistema de falhamentos na direção NE, dando origem a uma sucessão de “horsts” e “grabens” por extensões de até 4 km (Figura III.5). Nos grabens acumularam-se grandes espessuras de sedimentos, geralmente grosseiros, com grãos angulosos e presença de feldspato, refletindo um processo deposicional rápido e concomitante à movimentação tectônica. Nas áreas onde o embasamento pré-cambriano encontra-se exposto, as rochas mostram-se muito cisalhadas e profundamente alteradas pela ação do tempo, fazendo com que as estruturas tectônicas deixem de se refletir no relevo colinoso que caracteriza essa áreas. Já, nos locais em que há cobertura sedimentar, a espessura do manto de intemperismo das rochas pré-cambrianas do substrato é pequena, sugerindo o seu rápido sepultamento, sob clima de semi-aridez, pelos depósitos cenozóicos.

Na área da bacia do Rio Baquirivu-Guaçu não foram observados os sedimentos correspondentes à Formação Tremembé. Próximo às bordas da bacia, a perfuração de poços tubulares, para exploração de água subterrânea, revelaram a presença de uma seqüência de camadas argilosas, consideradas como pertencentes à Formação São Paulo. São constituídas de argilas com colorações creme e esbranquiçada, de consistência mole, plásticas, que em profundidade passam a argilas cinza esverdeadas rijas, podendo conter intercalações e lentes de areia argilosa ou areia grossa, alem de conglomerados, com poucos metros de espessura. Na superfície do terreno essas camadas argilosas encontram-se intemperizadas, adquirindo intensas tonalidades avermelhadas, rosadas, amareladas e variegadas, mascarando as estruturas sedimentares. As seqüências argilosas foram detectadas, através de poços, a profundidades de até 100 m, apresentando diversas intercalações arenosas

Próximo à borda norte da Bacia Sedimentar de São Paulo e na sua parte mais central e profunda, podem ser encontradas espessas camadas de areias finas a grossas, friáveis ou compactas, quartzosas, com grãos sub-arredondados, branco-acinzentadas, pertencentes à Formação Resende.

Nas partes mais profundas, que podem chegar a mais de 220 m abaixo da superfície do terreno, ocorrem areias grossas, argilosas, feldspáticas, com grãos angulosos e coloração cinza escura a cinza esverdeada, de alta consistência e rijas, eventualmente associadas a espessos pacotes de areias quartzosas mal selecionadas, finas a grossas, cinza claras e com grãos arredondados. Essa seqüência arenosa inferior também corresponde à Formação Resende, e indica ambiente deposicional de corridas de detritos em leques aluviais, no caso das areias feldspáticas, ou predominância de sedimentação em regime de rios entrelaçados, no caso das areias quartzosas, mais bem arredondadas. Os depósitos terciários da Bacia de São Paulo podem atingir, em conjunto, espessuras de até mais de 200 m.

Associados à drenagem atual do Rio Baquirivu-Guaçu, existem depósitos aluviais constituídos por uma camada superficial de argila siltosa ou arenosa, com até 12,0 m de espessura, de coloração castanha, amarelo-amarronzada ou vermelho-amarelada. Nas baixadas podem ocorrer delgadas coberturas, com espessuras entre 2,0 e 8,0 m, de argila negra ou cinza escura, contendo matéria orgânica, muito moles e plásticas. Nesses aluviões, existem camadas basais de cascalho, geralmente grosso, com seixos de quartzo mal arredondados, acumulando pequenas espessuras. Todas as unidades litológicas da região enfocada encontram-se afetadas de maneira generalizada pela ação do tempo, dando origem a espessos mantos de material decomposto. Os gnaisses e granitos dão origem a solos residuais maduros, argilo-arenosos, avermelhados ou amarelados, de boa coesão e plasticidade, que não guardam quaisquer vestígios da mineralogia e textura originais. Podem atingir espessuras de até 20,0 m. Em profundidade, os solos residuais passam a solos de alteração ou saprolíticos, de natureza areno-siltosa ou saibrosa, com baixa coesão, nos quais ainda se encontram preservadas a textura e o contorno dos minerais originais, que, porém, já se transformaram em minerais argilosos de alteração. A cor dos solos saprolíticos é geralmente acinzentada ou esbranquiçada, devido à caulinização dos minerais feldspáticos. A camada de solo de alteração chega a alcançar 20 m de espessura e, em conjunto com os solos residuais superficiais, pode formar coberturas de solos com até mais de 40 m de espessura.

As rochas metapelíticas e xistosas originam solos superficiais argilosos e plásticos, de coloração vermelha ou amarela, geralmente pouco espessos, recobrindo grandes espessuras de solo de alteração e, mais comumente, rocha alterada mole, de coloração rosada ou arroxeada, em que a foliação é nitidamente preservada e pode condicionar a estabilidade de taludes. Nos anfibolitos e metabasitos praticamente não se forma solo de alteração, passando a rocha sã bruscamente a solos residuais argilosos e plásticos, vermelhos ou amarelos ocre.

Entre os solos de alteração e a rocha totalmente sã e preservada, podem existir zonas de alteração incipiente, com até 40 m de espessura, em que os cristais de feldspato perdem o brilho nas faces de clivagem e os de mica e de minerais máficos mostram-se apenas ligeiramente alterados. A resistência mecânica desse horizonte é, contudo, da mesma ordem de grandeza daquela da rocha fresca. As maiores espessuras dos mantos de decomposição ocorrem associadas às elevações e morros, diminuindo nas partes mais baixas do relevo, deixando praticamente de existir abaixo do nível de base da drenagem atual, ao redor da cota 725 m. Sob a cobertura sedimentar terciária embutida no Graben do Baquirivu-Guaçu, contudo, a alteração se processou até cotas bem abaixo do nível de base da drenagem da região, tendo sido detectada a presença de rocha alterada até o nível de 600 m.

Os sedimentos terciários da Bacia de São Paulo, mesmo quando não alterados, têm características, com relação à consistência, semelhantes às dos solos residuais e de alteração das rochas cristalinas. Os sedimentos arenosos são incoesos e soltos, enquanto os de natureza silto-argilosa e argilosa são bastante consistentes, diferentemente do comportamento das argilas moles das planícies aluvionares quaternárias. Nas áreas mais acidentadas existem coberturas coluvionares que, localmente, podem conter pequenos blocos rochosos na base. Esses colúvios geralmente têm natureza argiloarenosa e costumam ser bastante coesos, podendo recobrir tanto rochas do embasamento pré-cambriano como terciárias, da Bacia de São Paulo.


 (ÁREAS DE INFLUÊNCIA 4)

Geomorfologia

A área do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos insere-se, no contexto da divisão geomorfológica do Estado de São Paulo, no domínio da unidade de 1a ordem representada pelo Planalto Atlântico. Faz parte da Zona do Planalto Paulistano, em região de predomínio da Subzona Colinas de São Paulo, próximo aos limites com a Subzona da Morraria do Embu, ao sul, e com a Zona da Serrania de São Roque, ao norte. Predominam formas de relevo de degradação em Planaltos Dissecados, com estreita faixa, ligada à drenagem do Rio Tietê e principais afluentes, que corresponde às planícies aluviais dessa rede hidrográfica, sujeitas a inundações periódicas. Na região sobressaem-se os terrenos com relevo colinoso, onde predominam baixas declividades, inferiores a 15%, e as amplitudes locais do relevo são inferiores a 100 m. Logo ao norte, a área do Aeroporto delimita-se com relevo de Morrotes, onde predominam declividades médias a altas, acima de 15%. O relevo de Morrotes Baixos forma estreita faixa que logo cede lugar, mais ao norte, a relevo de Morros, onde predominam declividades médias a altas, acima de 15%, e amplitudes locais de 100 a 300 m. Esse relevo corresponde ao de Morros com Serras Restritas, com topos arredondados, vertentes com perfis retilíneos, por vezes abruptos, e presença de serras restritas. A drenagem é de alta densidade, com vales fechados e planícies aluviais interiores restritas.

Esse relevo de transição passa, mais ao norte, ao relevo Montanhoso da Serra da Cantareira, constituído por Serras Alongadas, com topos angulosos, vertentes ravinadas com perfis retilíneos, às vezes abruptas. As amplitudes locais superam os 300 m, com declividades acima de 15%, e a drenagem é de alta densidade, com padrão paralelo pinulado e vales fechados. Na unidade correspondente às Colinas e Patamares Aplanados, as altitudes situam-se no intervalo entre 700 e 800 m e as declividades dominantes alcançam valores entre 20 e 30%. Esse relevo foi esculpido em argilas, areias e cascalhos da bacia terciária de São Paulo, em região de predomínio, sob o ponto de vista pedológico, de Latossolos Vermelho-Amarelos.

Na Serra da Cantareira, as altitudes variam de 800 até 2.000 m, com declividades superiores a 30 % com relevo de Escarpas e Morros Altos, onde dominam Cambissolos, Litólicos e afloramentos rochosos. As planícies aluviais do Rio Baquirivu-Guaçu e afluentes são horizontalizadas e constituem unidade geomorfológica que faz parte da Planície do Rio Tietê, onde as altitudes não chegam a alcançar a cota de 750 m.

Hidrogeologia

Na área da bacia hidrográfica do Rio Baquirivu-Guaçu foram perfurados algumas centenas de poços tubulares profundos para captação de água subterrânea. Com base no resultado de 206 poços cadastrados, foi realizada uma caracterização geológica e hidrogeológica da bacia do Rio Baquirivu-Guaçu, na região de Guarulhos apresentada na Figura III.7.

Dos 206 poços cadastrados foi constatado que 90 apenas captam água do sistema aqüífero sedimentar, representado pelas Formações Resende, São Paulo e, possivelmente, Itaquaquecetuba. Dos poços restantes, 98 captam água do sistema aqüífero cristalino, sendo que os outros 18 correspondem a poços mistos, que captam água em parte do sistema sedimentar e em parte do cristalino. No sistema aqüífero cristalino foi verificada a existência de vários poços que resultaram secos, sendo que, entre os produtivos, foi obtida uma vazão máxima de 25 m3/h. O cristalino caracteriza-se por representar um aqüífero de grande heterogeneidade e vazões baixas. A profundidade média dos poços perfurados no cristalino é de 200 m, tendo sido verificado que as maiores captações se dão no intervalo de profundidade entre 150 e 210 m.

No sistema aqüífero sedimentar os poços são mais produtivos que no cristalino, fornecendo vazões médias de 25 m3/h, com profundidades médias de perfuração da ordem de 130 m, tendo sido alcançada a profundidade máxima de 220 m. As vazões dos poços no sistema sedimentar vão desde valores inferiores a 15 m3/h, nos trechos mais argilosos, até da ordem de 120 m3/h, nas áreas com espessas acumulações de sedimentos grosseiros. Nesse sistema, os níveis dinâmicos e piezométricos encontram-se geralmente profundos, em função dos rebaixamentos decorrentes da excessiva exploração e deficiente recarga natural.

As camadas aqüíferas, correspondentes aos níveis arenosos mais permeáveis, situam-se no intervalo entre 60 e 150 m de profundidade. O aqüífero sedimentar na área do Aeroporto tem comportamento essencialmente livre, representando excelente aqüífero, se bem que embutido em rochas cristalinas através de contatos de falha, com forte condicionamento geométrico imposto pelos blocos altos e baixos do graben do Rio Baquirivu-Guaçu.

Hidrologia

A Bacia do Baquirivu-Guaçu

A Bacia Hidrográfica do Rio Baquirivu-Guaçu compreende, durante o seu percurso pelas áreas dos municípios de Arujá e Guarulhos, uma área de drenagem igual a 163 km2. O traçado do curso principal desenvolve-se quase que paralelo à Rodovia Presidente Dutra, desde as nascentes até as imediações da área do Aeroporto Internacional de Guarulhos. A partir daí, as obras de canalização realizadas para a implantação do Aeroporto, conferiram um traçado regular para o canal contornando, pela borda externa, as pistas de pouso e decolagem atuais. Em seguida, o canal tem sua orientação em paralelo a Rodovia Hélio Smidt, onde ocorre uma travessia na alça de acesso à via mencionada. Nesse local existeinstalado um bueiro de travessia constituído por células triplas de concreto armado de seção retangular.

A jusante dessa travessia, cerca de 450 m, o Rio Baquirivu-Guaçu é interceptado pela Rodovia Presidente Dutra, através de uma travessia em ponte, indo alcançar o Rio Tietê, aproximadamente 2,5 km à frente. O Rio Tietê, nesse ponto de afluência, é constituído pelo estirão formado pela Barragem da Penha, no Parque Ecológico (Figura III.8).

A acentuada urbanização nos municípios de Arujá e Guarulhos trouxe uma série de alterações na rede de drenagem da Bacia do Rio Baquirivu-Guaçu, ocorridas, quase sempre, em função do crescimento da impermeabilização e que passam a ocasionar inundações localizadas. As intervenções realizadas, embora atendam aos objetivos pretendidos localmente, em geral, transferem problemas para jusante.

Muitos pontos na Bacia são conhecidos pela freqüência das inundações. Nem mesmo aárea do Aeroporto de Guarulhos está livre dessas ocorrências, onde o trecho final retificado do Córrego Cocho Velho, perpendicular ao eixo das pistas de pouso e decolagem, obriga a utilização de solução em galeria.

Conforme relatos da INFRAERO, em 1999 ocorreu uma inundação atingindo parte da cabeceira de uma das pistas e a subestação existente nessa área, por efeitos de remansoda calha do Rio Baquirivu-Guaçu sobre o emboque da galeria tripla do córrego Cocho Velho, provocando inundação nas áreas lindeiras. É possível que os altos níveis d’água no RioBaquirivu-Guaçu tenham sido originados por insuficiência hidráulica de pontes e da própria calha principal a jusante do emboque do Córrego Cocho Velho. As águas do Rio Baquirivu-Guaçu são utilizadas, a montante do ponto onde são lançados os efluentes tratados do Aeroporto, para irrigação e para lançamento de cargas poluidoras sem tratamento.

Qualidade da Água

De acordo com o Relatório de Qualidade das Águas Interiores do Estado de São Paulo (2001), existem 17 pontos de amostragem na Bacia do Rio Tietê Alto. O ponto de amostragem no Rio Baquirivu-Guaçu está localizado sob a ponte da RuaTamatsu Iwasse, na altura do número 500, no município de Guarulhos e apresenta o IQA –Índice de Qualidade das Águas Ruim (IQA médio = 24) No que se refere aos padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA 20/86, são inúmeros pa resultados não conformes apresentados no mesmo ponto de amostragem. A diminuição de vazão deste rio implica em queda acentuada da qualidade de suas águas.Isto pode ser verificado no Gráfico III.14 a seguir, no qual se apresenta a evolução das médias anuais do Oxigênio Dissolvido ao longo do tempo.

É sabido que as águas desse rio são utilizadas na irrigação de culturas existentes ao longo de sua bacia. A montante do ponto de lançamento do efluente do Aeroporto, o Rio Baquirivu-Guaçu é utilizado tanto para a captação de água para irrigação, como também é receptor dos lançamentos de cargas poluidoras “in natura”, lançadas clandestinamente, o mesmo ocorrendo à jusante.

Atendimento da Classificação do Corpo Receptor

Em geral, os estudos de concepção de sistemas de tratamento de esgotos consideram a legislação pertinente sobre os padrões de emissão de efluentes líquidos (Artigo 18, Decreto 8.468/76), preservando-se sempre o enquadramento do respectivo corpo receptor na classificação das águas. Para garantir que o lançamento de efluentes de ETE’s não confira ao corpo  receptor características em desacordo com seu enquadramento, são desenvolvidos estudos de diluição e de autodepuração dos cursos d’água.

Para a disposição superficial do esgoto tratado no rio Baquirivu-Guaçu, a qualidade do efluente não deve modificar a classificação do curso de água. De acordo com o Decreto n.º 10.755/77, o rio Baquirivu-Guaçu está enquadrado como corpo de água pertencente à Classe 3, ou seja, águas destinadas ao abastecimento doméstico após tratamento convencional, à preservação de peixes em geral e de outros elementos da fauna e da flora e dessedentação de animais e por isso requer tratamento a nível secundário. Por meio do Decreto nº 8.468/76, nas águas de Classe 3 não poderão ser lançados efluentes, mesmo tratados, que prejudiquem sua qualidade da água. Os efluentes de qualquer fonte poluidora não poderão conferir ao corpo receptor características em desacordo com o enquadramento do mesmo e somente poderão ser lançados, direta ou indiretamente, efluentes que obedeçam as condições estabelecidas.

Qualidade do Ar

A melhor maneira de caracterizar a qualidade do ar é por meio dos dados de monitoramento da CETESB. Nesse sentido, os dados apresentados a seguir foram extraídos do Relatório de Qualidade do Ar no Estado de São Paulo – CETESB, 2002, ano-base 2001 (última edição disponível), referentes à estação de monitoramento de Guarulhos. Visto que esta estação só monitora as partículas inaláveis, para os demais poluentes não monitorados pela CETESB na região - Monóxido de Carbono (CO), Hidrocarbonetos (HC), Óxidos de Nitrogênio (NOx), e Óxidos de Enxofre (SOx) - foram calculados a partir das principais fontes de emissão atmosférica. No sentido de apresentar uma ordem de grandeza do nível de emissões presentes no Município de Guarulhos, decorrentes apenas de fontes móveis, foram calculadas, por modelagem, algumas fontes significativas e considerado o total de emissões devidas ao Aeroporto.

a) Emissões devidas à circulação de veículos nas Rodovias Dutra e Ayrton Senna Foi calculada, por modelagem, a emissão de poluentes por duas importantes fontes poluidoras da região, constituídas pelos trechos das Rodovias Presidente Dutra e Ayrton Senna, considerando-se um trecho de 15 km nas vizinhanças do Município de Guarulhos,considerando-se o fluxo médio de veículos conforme dados fornecidos pela DERSA e pela Concessionária Nova Dutra. O Quadro III.3 a seguir demonstra a emissão de poluentes nos trechos considerados das rodovias Ayrton Senna e Presidente Dutra, que atravessa o Município de Guarulhos.


b) Emissões devidas ao tráfego de veículos no Município de Guarulhos· Guarulhos possui uma frota registrada de aproximadamente 140.000 veículos leves e
30.000 veículos pesados (ônibus e caminhões) que emitem poluentes atmosféricos em quantidades consideráveis. Para a estimativa deste montante, foram consideradas algumas hipóteses descritas a seguir.

· Um veículo na RMSP percorre, em média, cerca de 20.000 km por ano. Considerando esta mesma utilização em Guarulhos, teríamos, então, uma média de 54 km por dia. Se excluirmos, destes, 15 km referentes à Rodovia Presidente Dutra, dentro de uma hipótese conservadora de que todos os veículos utilizassem a rodovia diariamente, em toda a sua extensão, restam, então 39 km percorridos, por veículo, diariamente na malha urbana do Município, excluindo a rodovia (a qual foi fruto de modelagem específica). Foi também assumida uma velocidade média de tráfego de 25 km/h, um pouco acima da observada no Município de São Paulo. O Quadro III.4, a seguir, apresenta os níveis de emissão estimada para a circulação de veículos na rede viária do Município de Guarulhos.


avançar